EP-22 Eu sou responsável pelo que eu falo e não pelo que você entende

EP-22 Eu sou responsável pelo que eu falo e não pelo que você entende

Apresentador

Reginaldo Pacheco

Pauta

EP-22 Eu sou responsável pelo que eu falo e não pelo que você entende 

LINKS INDICADOS NO PROGRAMA

Roda de Pensadores http://www.rodadepensadores.com.br/

Instagram @jornadasdoeu https://bit.ly/2A64MHV

Contato: jornadasdoeu@gmail.com

Campanha LGBT Podcaster
https://lgbtpodcasters.com.br/

Conselho Federal de Psicologia do Brasil
https://site.cfp.org.br/

Amazon

Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais
https://amzn.to/3gZPbti

Ouça também EP-21 The Good Place – Tudo está bem

Eu sou responsável pelo que eu falo e não pelo que você entende

A comunicação é um grande desafio da atualidade. Empresas, governos e organizações não governamentais têm investido de forma massiva em melhorias nos seus sistemas de comunicação internos, em sua comunicação institucional e em publicidade.

As pessoas também estão investindo muito tempo e esforço em comunicação por meio de redes sociais como facebook, twitter e Instagram, plataformas que objetivam fomentar a construção de redes de contatos, a expressão de opiniões e a produção e distribuição de conteúdo.

Em meio a tanta eloquência, emerge a intrigante afirmação:

“Eu só sou responsável pelo que eu falo, não pelo que você entende!”

Curta e objetiva, essa frase diz ao mundo que não queremos ser responsáveis pelo que dizemos, que a obrigação de encontrar sentido em nossas palavras cabe ao outro, que podemos dizer qualquer coisa e acusar o outro de ignorância quando ele não entende o que queremos dizer. Essa frase é a representação inequívoca da terceirização do pensamento.

Em uma realidade em que o que mais fazemos é expor nossa opinião sobre tudo por meio das redes sociais, deveríamos pressupor que a comunicação eficiente é uma qualidade das mais estimadas.
Entretanto, vemos essa frase acompanhando uma quantidade alta de conteúdos sobre os mais variados temas.

Estamos na era da comunicação e vivemos o momento da desinformação, em que não temos certeza se o que lemos corresponde à realidade. As notícias falsas (fake news) geram uma quantidade imensurável de ruídos em todas as áreas da sociedade. Revistas divulgam estudos científicos de forma descontextualizada e em busca de likes. Verdades parciais são construídas sobre o viés de confirmação. Vivemos uma crise de responsabilidade na qual somos crianças aprendendo sobre  as novas regras do jogo e estamos errando muito para construir esse aprendizado.

Segundo Yuval Harari, autor de Sapiens – Uma breve história da humanidade, nossa espécie se desenvolveu e dominou o planeta graças a nossa habilidade de comunicação. Por sermos capazes de contar histórias, mitos e lendas de forma que os grandes grupos entendessem e acolhessem como verdade, a humanidade foi capaz de cooperar em grande escala.

Hoje, nossos mitos modernos são o dinheiro, a moda, o capitalismo, a democracia e outros tantos, que ajudam a humanidade se manter coesa, graças a nossa capacidade de contar histórias e de acreditarmos nas histórias que nós contamos

Na era da informação e da comunicação é essencial que saibamos como nos expressar com clareza. Nós somos plenamente responsáveis pelo que dizemos, mantendo essa responsabilidade, ainda que em menor grau, pelo que o outro entende. Aliás, se queremos expressar uma opinião, também queremos que ela seja entendida. A condição de uma comunicação eficiente é que os interlocutores se entendam.

Ruídos na comunicação

Podemos considerar como ruído na comunicação qualquer coisa que cause um mal-entendido, ou dificulte o entendimento pelas partes. Vejamos alguns exemplos:

TIPOS DE RUÍDO NA COMUNICAÇÃO

Ruídos na comunicação

É natural que aconteçam tais ruídos, mas devemos buscar ativamente minimizar as suas ocorrências.
Uma alegoria que exemplifica o conceito de ruídos na comunicação é a personagem velha surda do programa  “A Praça é Nossa” que sempre ouvia algo muito diferente do que foi dito.

Somos livres para nos expressar

A liberdade de expressão é um dos direitos humanos fundamentais e é essencial para o modelo de sociedade democrático. É através da expressão de quem somos e do que acreditamos que as relações interpessoais se formam.

Somos racionais e responsáveis pelo que dizemos

Somos seres racionais, capazes de pensar e entender que nossos discursos e ações afetam a vida de terceiros. Ou seja, dizer o que quiser sem medir as consequências sempre traz consequências.

Os terceiros podem ser nossos pais, amigos, família, colegas de trabalho, e até mesmo pessoas que não conhecemos quando o acesso ao conteúdo que publicamos é livre. Quando expressamos nossa opinião, precisamos ter consciência que podemos estar julgando algo ou alguém. É necessário, portanto, que essa consciência esteja permeada de lógica e ponderação.

LEIA TAMBÉM NOSSO ARTIGO SOBRE O PODER DA EMPATIA

Como nos comunicar de forma eficiente e emocionalmente saudável?

A comunicação não violenta (CNV) é uma ferramenta desenvolvida e testada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, baseado no princípio de que toda violência é resultado de uma necessidade não atendida. Sabermos como expressar o que sentimos e quais são as nossas necessidades nos permite construir relacionamentos interpessoais mais saudáveis e torna nossa capacidade de comunicação mais assertiva.

Os 4 passos da comunicação não violenta

Os 4 passos da comunicação não violenta

Passo 1 – Descreva o fato ocorrido sem usar palavras que remetam a julgamento ou frequência. Quando confrontamos alguém e o acusamos de comportamentos recorrentes, a tendência é que levantem barreiras e parem de escutar. O foco da pessoa se desloca para se defender.

“FULANO, ONTEM VOCÊ GRITOU COMIGO e eu me sentir triste e com raiva. É importante para mim que as pessoas me tratem com respeito mútuo e por isso eu gostaria que quando você sentir que precisa conversar comigo, me chame para que possamos conversar de forma privada e não grite ou chame minha atenção em público.”

Passo 2 – Descreva como aquele fato lhe fez sentir de forma clara e objetiva

Fulano, ontem você gritou comigo E EU ME SENTI TRISTE E COM RAIVA. É importante para mim que as pessoas me tratem com respeito mútuo e por isso eu gostaria que quando você sentir que precisa conversar comigo, me chame para que possamos conversar de forma privada e não grite ou chame minha atenção em público.”

Passo 3 – Indique a sua necessidade ou valor que você tem que foi desrespeitado

Fulano, ontem você gritou comigo e eu me senti triste e com raiva. É IMPORTANTE PARA MIM QUE AS PESSOAS ME TRATEM COM RESPEITO MÚTUO e por isso eu gostaria que quando você sentir que precisa conversar comigo, me chame para que possamos conversar de forma privada e não grite ou chame minha atenção em público.”

Passo 4 – Faça um convite a pessoa para que ela mude esse padrão de comportamento

Fulano, ontem você gritou comigo e eu me senti triste e com raiva. É importante para mim que as pessoas me tratem com respeito mútuo E POR ISSO EU GOSTARIA QUE QUANDO VOCÊ SENTIR QUE PRECISA CONVERSAR COMIGO, ME CHAME PARA QUE POSSAMOS CONVERSAR DE FORMA PRIVADA E NÃO GRITE OU CHAME MINHA ATENÇÃO EM PÚBLICO.

A CNV aborda ainda o conceito de escuta ativa, que é o exercício de ouvir o outro sem estar pensando no que responder para que possamos ouvir de verdade, acolher o que está sendo dito e minimizar os ruídos de comunicação. É ouvir com a “guarda baixa”. Se você parar para observar, normalmente quando alguém está falando não estamos ouvindo atentamente, mas pensando em como retrucaremos.

A reflexão sobre a qualidade das relações que mantemos também é relevante para a forma que nos comunicamos. Precisamos cuidar para que nossos relacionamentos sejam saudáveis.

Somos responsáveis pela forma como nos comunicamos?

Independente do meio de comunicação que usamos para expressar nossas opiniões, crenças ou posicionamento político, devemos estar atentos sobre a forma como estamos nos expressando e se estamos sendo racionais e responsáveis.

Se expomos nossa opinião, é porque queremos que o outro nos ouça e nos entenda. Por isso precisamos ser claros e objetivos sobre o que buscamos dizer.

Também precisamos aprender a ouvir o que o outro tem a dizer. Devemos abaixar a nossa voz interna de julgamento sem formular respostas na cabeça.  Enquanto o outro estiver falando, espere e ouça. Isso minimiza o ruído.

Quando for sua vez de falar, expresse sua opinião sobre o assunto, apresente seus argumentos, julgue o mérito da questão. Você estará mais habilitado a fazer isso após ter ouvido de forma mais profunda o que o outro disse. Com a postura da escuta ativa é mais provável que você não leve o que é dito para o lado pessoal ou entenda como uma ofensa.

No final de tudo isso você ainda terá conflitos, eles sempre estarão lá, mas com uma frequência menor. Você, por sua vez, certamente estará melhor habilitado para lidar com eles.

Agora, vamos mudar a velha frase para “Eu sou responsável pelo que eu falo e sou parcialmente responsável pelo que você entende”. Se você leu o texto todo, já compreendeu a diferença!

Se você gostou da sua leitura, comente aqui embaixo e compartilhe o texto nas suas redes sociais.

EP-22 Eu sou responsável pelo que eu falo e não pelo que você entende


One Reply to “EP-22 Eu sou responsável pelo que eu falo e não pelo que você entende”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *