EP-33 Tudo o que você precisa saber sobre namoro on-line

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APRESENTADOR

Reginaldo Pacheco

CONVIDADO

João Manenti @gianimanenti

PAUTA

EP-33 Tudo o que você precisa saber sobre namoro online

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Tudo o que você precisa saber sobre namoro on-line

Do mundo analógico ao digital

Quantos potenciais príncipes e princesas encantados você conheceu nos últimos 5 anos?

Com a ascensão dos apps de relacionamento, tivemos um aumento na oferta de parceiros. Com mais opções, podemos ser bem exigentes.

Adivinha, também tivemos um aumento da oferta de novo parceiros.

O site Match.com tem mais de 7 milhões de pessoas registradas na sua plataforma. Apps de relacionamento, como Tinder e happyn, estão entre os mais populares nas lojas de aplicativos.

No meio de tantas formas novas de encontrar um parceiro ideal, por que está tão difícil?

Então acompanha que vou te contar tudo o que você precisa saber sobre namoro on-line

Já não somos como nossos pais 

Todo Millenium se lembra de como foi o seu ensino médio. Os celulares tinham acabado de adquirir a função MP3 e ainda conhecíamos pessoas nos bares, baladas, festas nas casas de amigos ou, no máximo,  conhecíamos pessoas pelos grupos do Orkut e pelo MSN.

Do MP3 para a revolução tecnológica dos smartphones foram menos de 10 anos, e hoje temos o celular como nosso parceiro! Informo, aliás, que mesmo esse texto está sendo escrito no meu telefone.

Com uma transformação tão grande e tão rápida, não tivemos tempo para aprender a lidar bem com a tecnologia.

Yuval Harari, em seu livro “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, diz que “cada uma das revoluções da humanidade levou centenas de milhares de anos, mas da revolução industrial à revolução tecnológica tivemos poucos séculos”.

A humanidade se adapta muito rápido, mas aprende de forma mais lenta. Isso significa que ainda estamos “pegando o jeito” de como a tecnologia realmente funciona. Vivemos imersos nela mas não conhecemos seus princípios fundamentais.

Como funciona a lógica dos aplicativos de relacionamento

Os algoritmos estão presentes na nossa vida o tempo todo. Toda vez que você pega o seu smartphone ou notebook, cria uma montanha de dados sobre seus hábitos.

Voluntariamente cedemos nossos dados a várias empresas em troca de algum benefício.

O Google deve nos conhecer melhor que nós mesmos, o Facebook sabe sobre todas as nossas preferências e o Tinder conhece nossa versão de príncipes e princesas encantados.

Todos os apps nos colocam em um ranking, no qual o que importa é nossa popularidade.

Estética, físico, demonstrações de riqueza, rotina glamourosa, tudo isso conta, porque o perfil com todas essas características recebe muita atenção dos usuários e isso o torna um usuário Tipo A.

O usuário Tipo A é o objetivo de todos que estão em apps de relacionamento, porque inevitavelmente ele receberá o famigerado like

Abaixo do usuário A tem o Tipo B, que tem todos esses atributos, mas de forma mais modesta.  Por isso ele também recebe uma boa quantidade de atenção dos usuários.

Existe, por fim, o usuário Tipo C , aquele que não tem esses atributos e recebe, portanto, pouca atenção dos demais.

Todas as nossas interações no app de relacionamento se tornam dados usados para customizar a experiência do usuário.

O app tenta entregar aquilo que considera mais adequado à classificação do usuário e ocasionalmente apresenta opções tidas como melhores para mantê-lo na plataforma

Para entender de uma forma simples o funcionamento dos apps de relacionamento, convido você a assistir o episódio “Queda Livre” da série Black Mirror. Ele é o exemplo cinematográfico de tudo o que você precisa saber sobre namoro on-line

Por que os apps de relacionamento não funcionam tão bem quanto você imagina?

Agora que entendemos melhor a lógica dos apps, vamos falar porque eles não funcionam tão bem assim.

A ideia do marketing é identificar necessidades humanas e transformá-las em produtos ou serviços. 

Esses apps são soluções para um problema específico: conhecer novas pessoas, vivendo uma rotina corrida.

Hoje, podemos nos perguntar: quem de nós tem tempo para ir ao bar flertar para  encontrar um parceiro? Visando simplificar esse processo, criaram os aplicativos! Até aqui, tudo certo!

Mas o marketing também ensina que as necessidades humanas são praticamente infinitas.

Enquanto antes o nosso raio de busca era o bar onde estávamos, a balada ou a festa na casa de um amigo, agora nosso raio é a cidade onde vivemos, para alguns até o estado todo.

O primeiro problema é que não sabemos lidar com escolhas infinitas, isso nos causa angústias.Cada vez que abrimos o Tinder temos várias opções de pessoas e parece que quase todas tem alguma coisa a ver conosco! Como podemos escolher a certa?

O segundo problema é que a “régua” subiu muito. Antes, tínhamos um grupo limitado de pessoas e buscamos a melhor opção entre algumas poucas dezenas de pessoas dentro do nosso ciclo social.

Agora, temos o Instagram que nos colocou em contato com centenas de milhares de pessoas aparentemente perfeitas em nossa própria cidade!

Estamos sempre buscando o melhor parceiro possível, o sujeito ideal, e não permitimos que esse indivíduo apresente a menor falha. 

Passamos a nos relacionar mais com os nossos conceitos ideais e fantasiosos de um parceiro do que com as pessoas reais à nossa volta.

O “Romeu e Julieta” do Instagram

O mito do amor romântico existe há bastante tempo: Tristão e Isolda, Romeu e Julieta e todos os filmes românticos de Hollywood.

Não há quem não seja influenciado por esse mito em maior ou menor grau, sonhando encontrar aquele grande amor avassalador, o príncipe encantado que vai tornar tudo melhor.

Agora misture esse mito com o Instagram. Romeu é o exemplo de beleza, força e masculinidade e também é inteligente, desconstruído e abastado.

Julieta é linda, um pouco mais baixa que seu Romeu, inteligente, mas não em demasia, ousada e bem apresentável.

E o que acontece quando esse mito moderno do romantismo se choca com a realidade? Fica desnudado, a fantasia morre e precisamos lidar com a frustração.

Carência, depressão e ansiedade. O vício na caça do amor perfeito

Os Millennials estão viciados em encontros. O Tinder registra mais de 1,5 milhão de encontros por semana.

Segundo Jessica Strübel, autora de um estudo publicado no American Psychological Association. a autoestima do usuário de aplicativos tende a ser mais baixa, com relatos de insatisfação com corpo e aparência.

Com o tempo de uso dos apps, os usuários sentem-se despersonalizados e descartáveis em suas relações sociais.

Você deve se lembrar de ter visto uma reclamação recorrente nos apps, sobre as pessoas não serem criativas na abordagem!

Isso acontece porque temos muitos novos matches por dia e se torna cansativo passar pelas mesmas perguntas iniciais repetidamente. e então, as saudações convencionais já não servem a esse ambiente, você precisa ter uma nova abordagem que desde a primeira mensagem,  te garanta alguma atenção.

Pressão  demais, né?

As relações sociais também passaram por transformações.O objetivo inicial do namoro on-line era um relacionamento, mas cada vez mais vem se tornando uma ferramenta para facilitação de sexo casual, o que não é um problema em si, mas se torna um problema quando as relações se tornam puramente líquidas e se resumem apenas a esse objetivo.

Rolou o date, tudo foi muito bom, mas no dia seguinte a pessoa não responde mais e quando você percebe já está bloqueado em todas as redes sociais. Essa é a prática do ghosting, uma forma simples de tirar o outro da sua vida. Basta apertar o botão de block,

De acordo com a  CNN, um estudo de 2011 publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences revelou que a rejeição estimula a mesma parte do cérebro que processa a dor física. É possível afirmar, assim, que nosso cérebro não sabe distinguir a dor física da dor emocional e que agora precisamos lidar com a dor da rejeição.

O uso desregrado de tecnologia e redes sociais também estão associados ao aumento da ansiedade e depressão em usuários.

Como sobreviver ao namoro on-line

Vou compartilhar com vocês algumas dicas de como sobreviver ao namoro on-line.

1° Faça terapia

Vivemos hiperconectados e nossa percepção da realidade vem sendo prejudicada. A terapia pode te ajudar com isso, além de ampliar seu autoconhecimento.

2° Limite o tempo nos apps

Os aplicativos foram criados para passarmos grande parte do nosso tempo neles. Que tal assumir as rédeas e você mesmo governar o seu tempo? Limite  o quanto você fica nos apps de relacionamento.

3° Limite número de matches
Quanto mais Matches mais problemas, quando usar o app limite esse número  a 2 ou 3 e invista tempo em conversa com essas pessoa.Se não sentir química, desfaça o match e encontre um novo parceiro, mas nada de Matches infinitos.

4° É hora de matar o príncipe encantado

Ter objetivos e expectativas claras sobre o tipo de parceiro que você quer é importante, mas não se limite a sua lista pessoal. Mantenha a mente aberta e diga sim às pessoas que podem ser interessantes e diferentes de você.

5° Você é uma pessoa e o outro também

Lembre-se disso na hora de interagir! São dois seres humanos com desejos, sonhos, objetivos e qualidades interagindo.Pratique a empatia e o diálogo afetivo.

6° Divirta-se!

Vale a pena quando é divertido e legal para os dois lados.

7° Nem tudo é Tinder

Se você não gosta desses apps, lembre-se que você pode conhecer pessoas de outras formas 😉.

Tudo o que você precisa saber sobre namoro on-line

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